Sua última iniciativa em seu departamento é: Vamos converter nossas aulas presenciais em e-Learning. Podemos alavancar nosso investimento e redefinir os propósitos do conteúdo para ser veiculado na web. Uma conversão será rápida e barata e garantiremos um público maior no processo. A sua gerência adora a idéia. Quem não o adoraria? É o Nirvana do ROI (Retorno do Investimento). Autor: Lori Mortimer Fonte: ASTD (American Society for Training and Development) Só não saque aquele cheque de bônus ainda. As conversões de conteúdos presenciais para aulas on-line são mais complexas do que aparentam. Podem na verdade consumir muito mais tempo do que desenvolver os materiais para a sala de aula. Assuntos simples podem se tornar complexos e causar muita confusão em sua programação e orçamento. Escolha uma página do "Manual de Escoteiro" e esteja preparado para considerar os seguintes detalhes de conversão. Um planejamento antecipado pode ajudá-lo a antever e evitar atrasos de programas e custos excessivos.
O Conteúdo é o Principal O conteúdo dirige o projeto: sem seu conteúdo de sala de aula, você não estaria pensando em e-Learning neste momento. Isto pode ser bom ou ruim, dependendo de sua preparação quanto a estas questões de conteúdo. Direitos Eletrônicos. Quem detém os direitos sobre os materiais eletrônicos utilizados na sala de aula? Se você os licenciou ou terceirizou seu desenvolvimento pode não ter direito eletrônico sobre os mesmos. Esta pergunta precisa ser respondida no início do processo, e mesmo que leve tempo e dinheiro, deve ser respondida. Isto evitará futuros problemas judiciais e prejuízos. Vale a pena consultar seu advogado ou ler seus contratos mais uma vez. Armazenamento das informações. Aonde e como são armazenados os recursos eletrônicos de treinamento na sua organização? Eles são guardados na intranet, em uma sala de armazenamento ou em ambos os locais? Existe uma concentração destas informações ou elas estão dispersas por todos os lados? Quem tem acesso a estes conteúdos? Quão fácil é ter acesso aos mesmos? É muito importante ter um inventário que contenha todos os conteúdos meses antes de iniciar o projeto. Controle sobre as atualizações dos conteúdos. Como você e a sua organização acompanham a trajetória de atualização dos conteúdos? Quantas pessoas trabalharam para a elaboração de cada conteúdo de cada curso? As versões anteriores são mantidas, ou somente a mais recente é mantida? Qual o nível do controle geral sobre estes conteúdos? Existe algum aplicativo que possibilita que arquivos eletrônicos como gráficos e documentos sejam procurados? E a questão sobre quais conteúdos são atuais e quais são antigos, está bem definida? Se não, quanto tempo pode levar para separar o joio do trigo? Formato dos Conteúdos. Quais são os formatos dos conteúdos (áudio, vídeo, etc.)? Eles são atuais ou não, eletrônicos ou em papel? Qual a facilidade de converter cada um deles para a web - como HTML, XML, .jpg, .gif, .mpg, etc? Quanto mais antigo o formato do conteúdo, mais difícil, oneroso e demorado será o processo de conversão. Gerenciamento dos Conteúdos. Quem será responsável por coletar e organizar os conteúdos? Como e onde serão armazenados os conteúdos convertidos para o e-Learning? Se você tiver um bom sistema de gerenciamento hoje, não enfrentará grandes dificuldades em um futuro próximo. Mais cedo ou mais tarde, este tipo de sistema será fundamental para que os conteúdos estejam bem organizados e problemas eventuais sejam evitados. Alguém terá que gerenciar estes conteúdos durante e após a fase de conversão.
Se você converter os cursos, eles aprenderão? Não importa se seus cursos são dinâmicos, atuais e façam grande sucesso junto ao seu público, eles precisarão de algum re-desenho instrucional para poderem ser publicados na web. Um especialista em desenho instrucional (mediação pedagógica) deve analisar um ou mais cursos levando em consideração os seguintes pontos. Quantidade e tipo dos novos conteúdos. Qual a quantidade de novos conteúdos que será necessária para cada curso através do e-Learning? A mídia utilizada será de que tipo? O formato de conversão mais comum é o modelo assíncrono (self-paced), em que o aluno faz a sua hora e o seu ritmo de estudo. Este formato é o que normalmente exige conteúdos mais novos. As fontes dos materiais dos cursos estão detalhadas e completas? Bons professores / instrutores normal-mente compensam alguma inferioridade dos conteúdos de aula através de conteúdos seus ou de suas habilidades pessoais. Para os cursos assíncronos, o mediador pedagógico precisa criar estes conteúdos. Mesmo com um conteúdo de alto nível, é preciso criar outras formas de aprendizagem como exercícios, animações, questões e feedback que possam substituir atividades comuns na sala de aula. Quanto mais sofisticado for o conteúdo mais tempo e dinheiro exigirá seu desenvolvimento. Re-estruturação dos cursos. Cursos em sala de aula possuem uma estrutura baseada em documentos: as aulas são organizadas em capítulos ou lições, com o conhecimento sendo dividido em parcelas bem definidas. O e-Learning por sua vez, tipicamente possui uma estrutura baseada em objetos, sendo que cada qual deve possuir um objetivo de aprendizagem. Estes elementos também são denominados objetos re-utilizáveis e são armazenados nos bancos de dados. Eles podem ser re-utilizados e modificados independente da mídia de entrega. Normalmente os alunos não vêem a estrutura dos objetos de aprendizagem. Para os seus cursos você terá que definir padrões e regras que determinem cada um destes objetos. Em outras palavras, é preciso definir o que caracteriza um objeto de aprendizagem em seu curso. Uma regra indicada é a seguinte: um objeto de aprendizagem é um conteúdo que garanta que uma habilidade específica ou um conhecimento seja transmitido, e que inclua uma atividade prática e uma avaliação. Aprendizagem Híbrida. Você está convertendo aulas presenciais em cursos que combinem diversos tipos de aprendizagem (aprendizagem híbrida) e que incluem eventos presenciais, on-line assíncronos e síncronos? Se estiver, cada um dos cursos exigirá um re-desenho e uma revisão da seqüência de aprendizagem. A aprendizagem híbrida é importante pois possibilita a otimização do processo de aprendizagem, através da atribuição de uma atividade para cada objetivo de aprendizagem, independente do meio pelo qual a instrução ou o conhecimento é transmitido.
Desenvolvimento de curso é desenvolvimento de curso... Mais ou menos Um projeto de conversão introduz novos conceitos e processos de desenvolvimento. Você também encontrará algumas questões já conhecidas e familiares ao longo do caminho. Esteja preparado para as questões abaixo: Tempo de envolvimento do conteudista. Mesmo que você esteja trabalhando sobre um material já pronto, será necessário o envolvimento de um especialista de conteúdo durante o processo de conversão. Este profissional pode completar eventuais falhas nos conteúdos com materiais adicionais normalmente fornecidos em sala de aula (material não documentado). Por exemplo, muitas vezes professores utilizam roteiros em aulas presenciais, e cada um deles constrói o restante da aula do seu jeito. Nestes casos o conteudista tem um papel importante que é desenvolver o que está faltando, analisar os tipos de recursos que podem utilizados para cada objetivo instrucional e avaliar a eficiência e a eficácia do que for criado ao longo do processo. O tempo de envolvimento deste profissional irá depender da quantidade de conteúdos novos que deverá ser adicionado ao programa. Tempo e custo de desenvolvimento dos recursos de mídia. Se você pretende incluir recursos sofisticados como áudio, vídeo ou animações, você precisa garantir um tempo extra no seu planejamento e esperar por custos maiores do projeto. Mesmo ao tentar re-utilizar conteúdos e arquivos já existentes, o re-trabalho é quase sempre inevitável, pois adaptações geralmente necessárias. Muitas vezes é preciso re-criar os arquivos por falta de qualidade ou por serem muito ultrapassados. Edição e formatação. Você poderá se surpreender com o esforço necessário para converter com sucesso um conteúdo mesmo que pouquíssimas mudanças tenham sido feitas. Um editor pode ser indicado para revisar e garantir que os textos, os gráficos e que o layout sejam consistentes. Mesmo textos bem escritos precisam ser revisados para leitura via web. Textos para a web devem ser mais concisos e diretos. Localização / Internacionalização. Uma vez que os cursos estiverem on-line, é possível que a procura seja muito maior que o esperado. Será que alguns dos alunos precisarão de cursos em outros idiomas? Ter cursos em outros idiomas significa também ter mais informações armazenadas nos bancos de dados. Um especialista em idiomas é fundamental neste tipo de casos. Padrões de desenho instrucional. Teoricamente, você irá substituir exercícios e atividades de aulas presenciais por elementos interativos como exercícios exploratórios ou questões de múltipla escolha. Será necessário o desenho instrucional para saber como e quando utilizar estes elementos, e para definir o objetivo de cada um deles dentro do programa. Por exemplo, quantas chances você deveria dar a um aluno para que ele tentasse acertar um teste? Para questões respondidas incorretamente, qual o nível de detalhamento e escopo do feedback? Mais uma vez é necessário definir as regras que lhe forneçam consistência de uso para estes elementos dentro dos cursos. Materiais antiquados. Será necessário converter os conteúdos em papel para o formato web, de acordo com os padrões técnicos e de desenho instrucional. Passa a fazer parte destes conteúdos também guias de referência sobre as tecnologias utilizadas, como por exemplo, manuais explicativos sobre a interface do sistema, ferramentas de colaboração, etc. Preparação para o e-Learning síncrono. Nunca assuma que um talentoso professor / instrutor irá repetir seu sucesso de sala de aula também em aulas virtuais. Será necessário um tempo mínimo de utilização tanto para professores como para alunos. É fundamental que cada um dos professores (instrutores) receba um treinamento prévio que lhe familiarize com o novo sistema e que lhe forneça a confiança necessária para a primeira aula virtual.
Nós podemos fazer isto? Claro que podemos! Praticamente nenhum conteúdo sobrevive ao processo de conversão sem ser modificado. Este processo pode envolver muitas tarefas e uma infinidade de detalhes, mas nunca será impossível. Como planejar um plano de conversão de sucesso? Seja sábio ao definir se os cursos serão convertidos internamente ou externamente. Compare os custos de sua equipe interna ou os custos para a aquisição de profissionais capacitados, aos custos de outras empresas capazes de realizar tais serviços. Um dos benefícios de manter este processo internamente é a familiaridade de seus profissionais com os conteúdos. Um benefício da terceirização é que outras empresas possuem profissionais especializados, o que pode significar maior produtividade do processo. Uma outra alternativa é unir forças e adotar uma estratégia em que ambas as partes trabalhem em conjunto. Seja cuidadoso ao escolher um parceiro. Se optar por terceirizar o processo, siga os critérios de avaliação abaixo.
Tenha certeza de que você possui profissionais prontos para o desafio. É fundamental garantir os recursos necessários para os processos de conversão caso você opte por desenvolvê-los internamente. Se necessário, busque no mercado profissionais que possuam experiência em e-Learning. Este não é o momento de arriscar e entregar nas mãos de seu artista gráfico a tarefa de desenvolver as páginas web, caso ele ainda não tenha este tipo de expertise técnico. Selecione pessoas com experiência comprovada em projetos web e que possam agir com propriedade durante o projeto. Prepare um plano de projeto sólido. Você não deve menosprezar um planejamento detalhado do processo, incluindo cada uma de suas etapas. As melhores práticas incluem:
Apesar de o processo de conversão de cursos presenciais para o e-Learning parecer complicado, ao antecipar estes detalhes do projeto, será possível preparar um plano real que lhe dê a confiança necessária para iniciar o projeto com sucesso.
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
Convertendo cursos presenciais em EaD
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