Atendendo a um convite da querida amiga Fernanda Oliviero, estive nesta quarta (28) no Colégio FECAP da Avenida Liberdade. Entre um sanduichinho e outro do maravilhoso coffee break oferecido, tive contato com o sistema informatizado de monitoramento dos alunos, que inicia com a passagem do crachá pela catraca eletrônica, continuando pela chamada virtual realizada em sala com a utilização dos notebooks wireless dos mestres. Como o espaço é amplo e serve também para a Faculdade, assistentes dos orientadores atuam nos corredores, garantindo que ninguém perambule pelo campus nos horários das aulas. Uma maravilha! Caso um aluno não traga o dever, esqueça um livro ou durma durante a aula, e-mails são disparados diretamente aos pais. A orientadora educacional atua somente nos casos mais graves ou quando procurada peolo aluno. Coisa de primeiríssimo mundo!!!
Como se não bastasse todo esse cuidado, eventualmente são proferidas palestras aos pais e mestres, como a ocorrida nesta quarta, brilhantemente conduzida pela doutoranda em Educação Tânia Aguiar. Fica neste espaço um elogio explícito à direção da FECAP pelos excelentes profisionais contratados, equipamentos e instalações exemplares.
Abaixo, a transcrição das notas tomadas durante o evento.
A adolescência na contemporaneidade
Limites e possibilidades para pais e professores
Colégio FECAP 2009
Tânia Aguiar, doutoranda em Educação
Período de desilusão para os pais:
“Aos 13 anos, meu filho foi abduzido e colocaram outra criatura em seu lugar...”
Uma pesquisa de imagens no Google inserindo o termo ‘adolescentes’ trará sexo, drogas, gravidez, rock, desajustes... enquanto ‘juventude’ é um termo positivo. Há uma conotação pejorativa já consolidada em nossa sociedade.
Wundt, em 1879, foi o responsável pela autonomia da Psicologia da Filosofia.
Johns Hopkins, em 1887, nos EUA, juntamente com Stanley Hall, escreveram Psicologia da Adolescência (masculina), com base em experiências realizadas no Exército, nas fábricas e nos colégios internos.
O Exército utilizava o “psicotapa” a fim de disciplinar seus jovens.
Nas fábricas, o aprendiz era a imagem do rebelde, revoltado com as péssmas condições de trabalho e familiares. Na França foi cunhado o termo bèasse (11 a 14 anos), identificando o pré-adolescente solitário, ícone o Romantismo e símbolo do ilegalismo popular (Foucault). O Apache era a figura criada por jornais franceses, representando o homem de 15 a 20 anos, que, ao contrário do bèasse, andava em bandos delinquindo. Inspirou vários filmes, de James Dean a Marlon Brando.
Fator central, a sexualidade é concebida a partir da moralidade educacional burguesa, não por sua expressão natural. (Foucault)
Os adultos impõem ao jovem o adiamento de suas satisfações, justificando que todas as energias voltadas ao estudo trarão progresso. (séc. XIX)
Stanley Hall (USA): Adolescence Psychology, 1904.
O protagonismo juvenil em ações sociais pela via pedagógico-solidária é sempre iniciada por um adulto, geralmente baseada na eficiência técnico-mercadológica: jovens empreendedores, universidade. Protagonismo ou convocação???
Associada a uma esperança de renovação social, a juventude projeta o fracasso das instituições sociais. Projetos sociais efetivamente feitos por jovens e para jovens comumente são encontradaos nas classes populares.
Charles Melman afirma que há uma normalização implícita nas drogas, de oferta inquestionável. O exemplo acontece dentro de casa com sibutramina, nicotina, álcool e calmantes.
Limbo é a morada das almas que ainda não foram redimidas do pecado original.
Orientação sexual = prevenção + busca da felicidade
Por fim: adolescência existe, o que pode fazer a diferença são as organizações sociais. A psicanálise afirma que adolescência é uma operação psíquica, uma passagem sem rito. Para a Educação, adolescência é o momento em que o sujeito é duplamente (modificações em seu corpo e olhar do outro) convocado a ser diferente da criança que foi.
Quais lugares oferecemos???
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