ASPECTOS RELATIVOS À ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ENSINO À DISTÂNCIA
1.Bases Para o Estudo
Nesse trabalho fazemos um breve estudo acerca dos requisitos para elaboração de projetos de Ensino à Distância (EAD), evidenciando as principais atividades a serem desempenhadas desde o momento em que é definido o conteúdo a ser trabalhado, passando pela obtenção do produto final e indo até o acompanhamento dos resultados. Como principal objetivo, pretendemos gerar um documento capaz de contribuir na proposição de uma estratégia para concretização de projetos nessa modalidade de ensino.
Temos como objetivo fazer com que o leigo consiga fazer uma reflexão a respeito do tema, e por isso nos permitimos enunciar dois princípios básicos que fariam parte de qualquer introdução ao EAD. Podemos dizer que:
- EAD consiste na transferência do conhecimento sem o contato direto entre o professor e o aluno, sendo portanto uma alternativa ao denominado ensino presencial.
- A aplicação plena do EAD é focalizada na maximização do alcance da transmissão do conhecimento e na flexibilização do compromisso do aluno.
O primeiro desses tópicos pode ser encarado como uma tentativa de definição elementar do EAD, e nos faz considerar que esse recurso poderia ser empregado não apenas como substitutivo do ensino presencial, mas também como uma complementação. O fato é que um material desenvolvido para um curso por correspondência, por exemplo, poderia ser usado como exercício extra-classe no ensino tradicional.
O tópico seguinte indica, por sua vez, que a maior potencialidade do EAD reside na possibilidade de ampliar muito o contingente de alunos em relação ao que é conseguido com o ensino presencial, devido à redução das limitações de espaço e tempo. Devemos ter em mente, por exemplo, que um computador, apesar de se constituir numa formidável ferramenta de ensino para diversos propósitos, poderia limitar o alcance de um programa de EAD, simplesmente por tal recurso não se encontrar disponível para todo o público-alvo projetado. Um outro exemplo refere-se à utilização de transmissão radiofônica direta do ensino. Uma pessoa que não dispusesse de um gravador e também de algum esquema que lhe permitisse acionar esse equipamento no momento devido estaria comprometida de um modo relativamente rígido com o ensino, na medida em que seria obrigada a se submeter ao processo com uma periodicidade bem definida.
Independentemente do enfoque sob o qual o EAD é abordado, a literatura revela alguns pontos de vista discordantes manifestados pelos estudiosos. Isso ocorre com freqüência nas divagações de caráter filosófico e pedagógico acerca do EAD, o que é bastante natural, mas se estende também a questões relativas a técnicas de preparação de cursos e também ao debate acerca da adequabilidade dos diversos meios tecnológicos disponíveis para difusão do conhecimento. É preciso acrescentar que as pesquisas a respeito da utilização do EAD em programas instrucionais ainda não produziram resultados suficientes para fornecerem conclusões seguras quanto à eficácia dessa modalidade de ensino, a despeito das inúmeras evidências positivas nesse sentido. Para isso contribuem a dificuldade na mensuração dessa eficácia e a multiplicidade de propósitos e ambientes nos quais a utilização do EAD vem sendo investigada. O desenvolvimento acelerado dos meios tecnológicos aplicáveis ao EAD também dificulta a avaliação de pesquisas empíricas efetuadas em épocas distintas. Pode-se dizer que o assunto, embora não seja novo, assume permanentemente novos contornos.
Não é fácil falar genericamente sobre Ensino à Distancia devido aos diversos conceitos envolvidos no assunto. Aspectos filosóficos, pedagógicos, culturais, econômicos e outros mais precisam ser considerados. Procuramos, em vista disso, examinar criteriosamente todo o material de consulta que nos era disponível, e colocar nesse trabalho apenas os conceitos que, por motivos lógicos e pragmáticos possam representar um posicionamento absolutamente seguro com relação ao EAD. Por facilidade, restringimos nossas observações àquilo que possa ser considerado educação não-formal, incluindo aí cursos profissionalizantes, cursos de extensão profissional, treinamento corporativo, desenvolvimento de habilidades pessoais, divulgação de valores culturais etc.
2.Projetos de Ensino à Distância
Entitulamos assim o conjunto de atividades a serem executadas a partir da decisão de trabalhar um determinado conteúdo didático no sentido de estabelecer um programa de EAD. Isso implica não somente a produção do material didático correspondente, mas também a definição de uma série de procedimentos relacionados com os métodos de aplicação e com a avaliação de resultados.
Podemos listar as seguintes etapas como constituintes de um projeto de EAD:
1.Planejamento Educacional
2.Desenvolvimento
3.Aplicação
4.Controle da Eficácia
5.Manutenção
O Planejamento Educacional consiste na adequação de técnicas e métodos à apresentação do conteúdo, gerando a especificação básica que irá orientar o trabalho. Nessa fase são concebidos os métodos de ensino, definidos os meios instrucionais, estabelecidos os critérios de avaliação da aprendizagem etc.
Na etapa de Desenvolvimento são aplicados recursos técnicos de diversas naturezas com o objetivo de produzir o material didático concebido na fase anterior.
A fase de Aplicação refere-se a toda a sistemática de relacionamento com o aluno, aí incluindo os meios de acesso, os procedimentos de avaliação da aprendizagem, o controle da atividade do processo etc.
A Eficácia de um programa de ensino pode ser medida através da sua capacidade de proporcionar o alcance dos objetivos instrucionais. Em outras palavras, um programa de ensino, seja ele na modalidade de EAD ou qualquer outra, será considerado tão mais eficaz quanto mais facilmente ele propiciar a assimilação dos conhecimentos. Falamos em Controle da Eficácia para enfatizar a importância de um permanente questionamento do programa nesse sentido, visando decidir quanto à necessidade de modificações no material didático e também para avaliar os meios e técnicas utilizados com vistas a aplicações futuras.
Um projeto de EAD deve prever a necessidade contínua de manutenção, isto é, alteração de conteúdos ou procedimentos, decorrente da intenção de aumentar a eficácia do programa ou mesmo visando adaptá-lo a mudanças de padrões culturais ou tecnológicos.
Pode-se notar que todas essas etapas estão fortemente integradas e nunca podem ser dadas como encerradas completamente, a menos que o programa seja encerrado. Uma necessidade de manutenção pode, por exemplo, nos remeter de volta à fase inicial do projeto, para reformular o planejamento educacional.
3.Planejamento Educacional no EAD
3.1 Importância para o EAD
No que concerne ao Planejamento Educacional, devemos considerar três panoramas distintos relativamente às condições de aquisição do conhecimento: O ensino presencial, o autodidatismo e o EAD.
No ensino presencial, o processo de aprendizagem pode ser tutorado de uma forma muito segura pelo instrutor, que freqüentemente se apoia na sua experiência didática e capacidade de contornar as situações para delegar uma importância menor ao planejamento educacional. Quase sempre os métodos de apresentação dos assuntos são estabelecidos por tentativas e avaliações subjetivas dos resultados, de modo que um bom curso só se consolida após ser ministrado diversas vezes. Como o professor trabalha normalmente sozinho no planejamento educacional (em geral as instituições se limitam ao planejamento curricular), raros são os que se detêm objetivamente no questionamento dos diversos métodos empregados no curso. O resultado é, obviamente, muito dependente das características individuais do professor, da sua motivação e do seu preparo didático.
O autodidatismo se caracteriza por uma total ausência de planejamento educacional, sendo o indivíduo obrigado a assimilar o conhecimento da maneira como ele está disponível. É nessa situação que se percebe a importância de conteúdo e método para se alcançar um objetivo instrucional. Muitas vezes uma fonte mais rica em conteúdo pode se mostrar menos conveniente para o autodidata do que uma outra mais modesta que adote métodos mais eficazes.
Além da dificuldade natural na compreensão de um assunto novo, há outros componentes que fazem com que o autodidatismo só esteja ao alcance de um seleto grupo de pessoas. Um deles resulta da falta de visão sistêmica que impede o praticante de adotar a seqüência mais adequada no estudo de uma determinada disciplina. A ordenação dos tópicos influencia dramaticamente o mecanismo de assimilação do conhecimento e pode tornar a matéria incompreensível a despeito da disponibilidade de todos os elementos necessários ao seu entendimento.
Um dos argumentos freqüentemente colocados como dificultante da aprendizagem através do EAD refere-se a um exagerado requisito de autodidatismo. Muitos chegam a associar diretamente essas duas práticas, o que não é razoável. Na verdade, quanto mais bem elaborado o planejamento educacional em um projeto de EAD, menor componente de autodidatismo ele irá demandar ao receptor, e seguramente maior será a eficácia do aprendizado. Por isso diz-se que o EAD deve ser mais do que programado - deve seguir um algoritmo meticulosamente preparado de modo a acompanhar os mecanismos individuais de aprendizagem de qualquer aluno.
O conceito ideal de Planejamento Educacional sugere o envolvimento de uma equipe multidisciplinar composta de especialistas em conteúdo, didática e meios instrucionais. O especialista em conteúdo é um técnico na matéria, muitas vezes com pouca ou nenhuma experiência docente. Ele é o detentor do conhecimento, mas não o responsável pelo método de transmissão do assunto. Essa é a atribuição do especialista em didática, sendo ambos assessorados pelo especialista em meios instrucionais.
3.2 Técnicas Instrucionais
As técnicas instrucionais podem ter um sentido amplo, definindo uma estratégia geral para a colocação da matéria, ou um sentido mais restrito, aplicando-se a aspectos específicos do conteúdo. A Instrução Programada serve como exemplo de uma estratégia instrucional, enquanto a Simulação Computacional de um determinado efeito pode ilustrar o que seria a aplicação de uma técnica instrucional a um contexto específico.
Além de exercer uma forte influência no resultado final do projeto, a seleção das técnicas instrucionais depende de diversos aspectos, tais como o tipo de conteúdo, público-alvo, meios instrucionais disponíveis etc. exigindo assim grande habilidade por parte do profissional nessa especialidade.
Percebemos que alguns princípios gerais são aceitos pela tecnologia educacional como importantes para garantir a qualidade de qualquer programa de ensino. São eles:
- Procura de uma ordenação eficaz para promover a aprendizagem. - Conscientização do aluno acerca dos objetivos instrucionais.
- Provisão de diversos rumos possíveis para o raciocínio do aluno.
- Estímulo à participação ativa e constante por parte do aluno.
- Permanente "feedback" para o aluno, de modo que ele possa se corrigir tão logo incorra em erro.
A observação desses preceitos é vital quando se trata de EAD. Consideremos, por exemplo, aquele que se refere ao estímulo à participação, ou seja, ao aspecto motivacional do ensino. Como se trata de prática quase sempre exercida individualmente pelo aluno, sem compromisso de assiduidade, é preciso que as técnicas instrucionais adotadas não sejam apenas eficazes, mas também estimulantes. A exploração do espírito lúdico de certas atividades, o tratamento das aspirações pessoais, a indução a procedimentos investigatórios, o uso de modelos bem próximos da experiência própria dos alunos e a demonstração imediata da aplicabilidade dos conceitos são considerados bons recursos motivacionais.
3.3 Meios Instrucionais
Meios Instrucionais são dispositivos tecnológicos capazes de proporcionar o armazenamento e a distribuição do conhecimento. Desejamos aqui distingui-los dos instrumentos de ensino, como o quadro-negro, por exemplo, que são meramente facilitadores do processo de aprendizagem e necessitam o manuseio direto por parte do instrutor.
Os meios instrucionais mais utilizados são:
- Materiais Impressos, como os livros, revistas etc.
- Difusores de Som, como os rádios, gravadores etc.
- Projetores de Imagens Inanimadas, como slides e transparências.
- Projetores de Imagens em Movimento, como os desenhos animados, filmes e congêneres.
- Computadores, modernamente capazes de produzir os todos os efeitos que caracterizam os outros meios.
Os meios instrucionais estão intimamente ligados à essência do EAD, que pressupõe o distanciamento no tempo e no espaço entre instrutor e aluno. Isso só é possível a partir da utilização de dispositivos tecnológicos transportadores do conhecimento. A definição dos meios a serem empregados num determinado programa de EAD tem grande influência na condução do planejamento educacional. Freqüentemente essa definição é feita a partir das disponibilidades dos alunos, o que, se não é o ideal, pelo menos é o mais lógico. Pior é, no entanto, quando a escolha de um meio é ditada pelo modismo ou para justificar um investimento e o conteúdo a ser veiculado não é compatível com tal recurso. É o caso de alguns "cursos por computador" elaborados com intuito estritamente comercial e que põem o aluno em permanente desconforto perante a máquina.
O procedimento mais sensato seria o levantamento prévio dos meios instrucionais que estariam ao alcance do público-alvo, para conduzir o planejamento educacional com base nessa informação. A decisão pela utilização de um ou outro meio seria então tomada em função das técnicas instrucionais que se pretendesse adotar. Nessa fase, é importante a contribuição de um especialista em meios instrucionais para dar orientações a respeito do custo e das possibilidades de implementação daquilo que estiver sendo concebido.
4.Desenvolvimento de Projetos de EAD
Uma vez concluído o Planejamento Educacional relativo a um programa de EAD, tem início a fase de Desenvolvimento, ou seja, produção do material didático correspondente. Essa fase se caracteriza pela execução de tarefas bastante especializadas, podendo requerer o envolvimento de profissionais de diversas áreas, como por exemplo, digitadores, diagramadores, desenhistas, analistas e programadores de computador, técnicos em recursos audiovisuais etc.
Dificilmente poder-se-ia contar um corpo de profissionais com tão vasta gama de especialidades vinculado exclusivamente a um "staff" de produção de material de ensino. Assim, é forçoso pressupor que a concretização do projeto de ensino venha a ser efetivada por elementos não familiarizados com preceitos educacionais. Isso obriga os condutores da fase de planejamento a adotarem medidas rigorosas no sentido de que a qualidade do produto final não lhes fuja ao controle.
A padronização é uma importante via de controle do desenvolvimento do material de ensino. É preciso impor padrões que garantam a funcionalidade no uso do material e ao mesmo tempo confiram homogeneidade e personalização ao trabalho. Por exemplo, seria importante adotar padrões rígidos na diagramação de um texto para poder concatenar o trabalho de diversos profissionais nessa tarefa. Programas educacionais em computador, ainda de acordo com dessa idéia, devem ser elaborados seguindo determinadas normas na construção de interfaces. Seria indesejável, por exemplo, que um aluno fosse obrigado a se adaptar a novas finalidades das teclas funcionais do teclado cada vez que entrasse num programa.
É também conveniente dirigir ao máximo os passos do encarregado da elaboração do material didático com o propósito de evitar a descaracterização dos objetivos instrucionais pretendidos. Isso significa a preparação de um roteiro que chegue a um nível considerável de detalhes, requerendo assim alguma familiarização dos planejadores educacionais com os meios instrucionais a serem utilizados. É, porém, também muito importante que os planejadores saibam tirar o máximo proveito da habilidade profissional dos executores. Por exemplo, após especificar os componentes principais de uma imagem ilustrativa, é preciso incentivar o desenhista para que ele faça uso de sua criatividade sem, é claro, prejudicar a essência didática da mensagem. O resultado final será certamente melhor do que se poderia imaginar.
Pode-se concluir salientando a necessidade de um permanente acompanhamento da fase de execução por parte dos envolvidos no Planejamento Educacional, garantindo assim a obtenção do material didático com os menores custos e prazos possíveis.
5.Aplicação de Programas de EAD
A fase de Aplicação do programa de EAD diz respeito a todos os mecanismos de interação com os receptores do processo.
Quase todas as discussões acerca da aplicação de metodologias de ensino fazem referência a uma fase preliminar do processo, que teria um caráter experimental objetivando um ajuste final de técnicas e procedimentos. Com relação ao EAD, acredita-se que essa seja uma providência ainda importante, mas deve-se ressalvar que a necessidade de reformulação do material didático num prazo muito curto poderia elevar significativamente o custo do programa.
Há diversos pontos a serem considerados acerca da aplicação de programas de EAD que transcendem a simples entrega do material ao aluno e uma posterior verificação do aprendizado. Os principais serão citados a seguir.
Divulgação Preliminar: O primeiro contato com o público receptor do EAD constitui-se num trabalho de divulgação de todo o programa. Informações sobre os objetivos do curso, conteúdo programático, necessidades de meios instrucionais, infra-estrutura de apoio e outras mais devem ser colocadas com clareza. Essa é uma providência muito importante, devido à dimensão que se pretende dar, normalmente, a um programa de EAD.
Orientação para o uso: Como se trata de material auto- aplicativo, a ser manuseado à distância por pessoas não necessariamente familiarizadas com o EAD ou com os meios a serem empregados no curso, é muito importante a distribuição de instruções básicas sobre o seu uso.
Descentralização: A dispersão da clientela que se deseja atingir com um programa de EAD quase sempre leva à necessidade de se implantar núcleos localizados para administração dos cursos. Pelo menos quando se planeja a aplicação intensiva do EAD, essa alternativa deverá se mostrar interessante. Esses núcleos ficariam vinculados a uma administração central e encarregados de tarefas tais como distribuição do material didático, aplicação de provas, provisão de meios instrucionais especiais, acompanhamento da atividade dos alunos, controles estatísticos etc.
Tutoramento: Alguns recursos podem ser adotados para reduzir as dificuldades enfrentadas pelos alunos devido ao isolamento normalmente intrínseco à aprendizagem à distância. O mais eficaz, porém nem sempre exeqüível, seria a manutenção de linhas diretas de contato com instrutores formados nos núcleos de aplicação, acima mencionados. Outra opção seria a comunicação à distância com um instrutor, utilizando via telefônica ou postal. No último caso, melhor seria a circulação de um periódico tornando públicas as dúvidas apresentadas pelos participantes e ainda constituindo um veículo através do qual os instrutores poderiam reforçar alguns conceitos. A promoção de encontros locais entre alunos, com a participação dos instrutores responsáveis pelo programa pode também servir para esse propósito.
Integração: Uma condição que nos parece primordial para o sucesso do EAD consiste numa atividade integradora a ser exercida pela administração central. Isso significa manter todos os elementos envolvidos (instrutores, alunos, coordenadores e instrutores locais etc.) permanentemente informados e motivados a respeito do andamento do programa. Estamos convencidos de que uma boa estratégia de marketing, digamos assim, é vital em projetos de EAD. Não basta "vender" um curso através da divulgação preliminar sugerida acima. O objetivo não é fazer o aluno iniciar um curso, como ocorre em muitos empreendimentos comerciais de vida efêmera. É preciso fazer com que ele conclua o curso. Para isso, além do já mencionado tutoramento do estudante, é preciso mostrar a ele que outras pessoas estão no mesmo caminho, divulgar todos os índices de sucesso alcançados, acenar com perspectivas futuras de desenvolvimento, e enfim evitar que uma sensação de isolamento se manifeste na aplicação do EAD.
Verificação da Aprendizagem: Um dos aspectos mais complicados do EAD é sem dúvida a verificação da aprendizagem. Já anteriormente, ao discorrer sobre o planejamento educacional, indicávamos a necessidade de um permanente "feedback" para o aluno acerca do seu próprio desempenho, utilizando procedimentos auto-aplicáveis incorporados ao material didático. Para estabelecer um meio de reconhecimento institucional do aprendizado, entretanto, é preciso submeter o aluno a algum tipo de avaliação de acordo com os padrões convencionais. Isso implica o comparecimento do aluno à administração central do programa ou, na melhor das hipóteses, a um núcleo de coordenação local, onde pessoas devidamente habilitadas conduzirão essa atividade. Dependendo do assunto, poderá ser conveniente preparar essa avaliação em duas partes, sendo uma de caráter mais objetivo, cuja correção possa ser de alguma forma automatizada, e outra parte destinada a aquilatar aspectos menos óbvios do processo de aprendizagem, requerendo por isso uma análise mais elaborada. Num programa de EAD consistente, a absorção dos conhecimentos vai sendo continuamente verificada ao longo do curso, de modo que o aluno em dificuldades é instado a mudar a sua rota ou reciclar alguns conceitos. Quando ele finalmente chegar ao final do processo, independentemente da trajetória percorrida, muito provavelmente terá sucesso em qualquer teste comprobatório da sua capacitação. Se isso não ocorrer, a causa deverá ser detectada, e o aluno reorientado.
6.CONTROLE DA EFICÁCIA
A avaliação da eficácia do programa de ensino não deve ser confundida com a análise de um produto de ensino. Enquanto essa última consiste numa apreciação de um material didático considerada individualmente sob diversos quesitos (conteúdo, didática, caráter motivacional, coerência de métodos, funcionalidade na utilização dos meios etc.), a avaliação da eficácia se baseia diretamente em resultados, procurando qualificar o programa de ensino a partir da verificação do efetivo aprendizado.
O questionamento da eficácia de um programa de EAD deve ser sistematicamente efetuado objetivando o seu aprimoramento. Isso é particularmente importante num período que sucede a implantação do programa, para identificar as imperfeições que fatalmente terão passado despercebidas pelos planejadores educacionais. Esse período deve se prolongar até que se julgue oportuna uma primeira reformulação do material de ensino. A partir de então, o curso deverá assumir uma forma já bastante consolidada, podendo permanecer sob um acompanhamento mais discreto tendo em vista principalmente as eventuais necessidades de atualização do conteúdo ou perspectivas de aprimoramento geradas pela evolução dos meios instrucionais.
Citaremos a seguir três exemplos de alternativas para avaliação de eficácia aplicáveis a programas de EAD.
- Num plano mais geral, a confrontação dos objetivos instrucionais com uma análise do desempenho final dos alunos poderia proporcionar uma idéia acerca da eficácia do programa. A aplicação desse método pode ser facilmente sistematizada, já que consiste, pelo menos preliminarmente , no emprego de um tratamento estatístico trivial. Por outro lado, essa alternativa pode falhar na detecção dos pontos específicos que fossem merecedores de reconsideração.
- A análise das questões formuladas pelos alunos através de um canal de comunicação com instrutores ou monitores pode se mostrar bastante reveladora quanto a deficiências das técnicas instrucionais inclusive a nível de tópicos específicos. Essa alternativa, entretanto, depende da manutenção desses canais, o que já anteriormente indicávamos como desejável.
- A monitoração do uso do material de EAD submetido a um grupo experimental de alunos poderia se constituir na melhor forma de avaliação da eficácia do programa. Nesse caso os instrutores atuariam como observadores não interferentes do processo de aprendizagem verificando, item por item, a validade das técnicas instrucionais e demais características do programa. A possibilidade de montar um esquema que permita envolver alunos e instrutores nesse trabalho é a condicionante desse método.
7.Manutenção
Anteriormente mencionamos a inevitabilidade de uma atividade de manutenção de programas de EAD, visando corrigir falhas eventualmente detectadas ao longo da aplicação e também atualizar o material didático com relação a mudanças tecnológicas ou culturais.
Algumas vezes, a necessidade de manutenção pode resultar em ligeiras modificações ou adições ao material, enquanto outras podem acarretar a invalidação de trechos ou módulos inteiros. Evidentemente, devemos optar sempre pelas operações de manutenção mais simples e econômicas, respeitando, é óbvio, o padrão de qualidade desejável para o programa. O importante, entretanto, é limitar o uso de meios instrucionais pouco flexíveis a técnicas e conteúdos já exaustivamente testados em outros programas.
Admitindo a conveniência de contratar a terceiros a elaboração final do material (pois trata-se, em geral, de atividade altamente especializada), é preciso impor regras e padrões para o fornecimento desse serviço visando também a respectiva manutenção. Seria o caso, por exemplo, de evitar que na preparação de um texto impresso fosse utilizado um editor de origem desconhecida. Ou ainda impedir que uma ferramenta computacional de ensino fosse construída a partir de uma linguagem de programação de uso pouco difundido. Ignorando esses cuidados poderíamos estar definitivamente atados a um prestador de serviços ou mesmo ter que refazer todo um material face à necessidade de uma pequena alteração.
Como se vê, são providências tomadas muito antes da execução propriamente de um material didático que garantem as boas condições para a sua manutenção.
8.Conclusões
A execução de um projeto de EAD requer, como se vê, um grande esforço de organização, de modo que iniciativas isoladas nesse sentido terão poucas possibilidades de êxito. É preciso montar uma estrutura capaz de conduzir os projetos com habilidade e desenvolver uma cultura favorável à receptividade dessa metodologia pela clientela. Mais do que tudo, é importante a motivação do aluno participante, uma vez não há rigidez no seu compromisso de envolvimento com o programa. Como o EAD é fortemente dependente dos meios instrucionais, é essencial condicionar o planejamento educacional à disponibilidade desses recursos, bem como estabelecer uma política de acompanhamento da evolução tecnológica nesse campo.
Referências Bibliográficas:
1."Educação à Distância: Fundamentos e Métodos" - Juan E. Diaz Bordenave - Editora Vozes -
2."O Ensino à Distância como Método de Instrução" - James C. Taylor - Publicação da Fundação Brasileira de Educação- Centro Educacional de Niterói -
3."Educação à Distância: Planejamento e Avaliação" - Fernando José S. L. Neto - Técnica Educacional, RJ, pp 19-30, jan./Ab. 1992.
4."Revolução Tecnológica e Educação - Perspectivas da Educação à Distância" - Técnica Educacional, RJ, pp. 18-23, jan./fev. 1992.
5."Introdução à Didática Geral" - Imídeo G. Nérici - Editora Atlas - 1985 - SP
6."Manual de Tecnologia Educacional" - Lígia de Oliveira Auricchio - Liv. Francisco Alves Editora - 1978 -
7."As Pedagogias do Conhecimento" - Louis Not - Editora Difel - 1981 - SP
8."Ensaio sobre o Lugar do Computador na Educação" - Yves de La Taille - Editora Iglu - 1990 - SP
9."Educação e Informática" - Fernando José de Almeida - Cortez Editora - 1987 - SP
10."Como Preparar e Utilizar a Instrução Programada" - Patrícia Callender - Forum Editora - 1973 - RJ



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